Neste passado fim-de-semana foram divulgados os resultados do acesso ao ensino superior público para o novo ano lectivo.
O actual sistema de acesso ao ensino superior baseia-se numa nota de candidatura nacional formada a partir de uma média entre as classificações do ensino secundário e a do exame na disciplina(s) exigida por cada curso como provas de acesso. Independentemente do que cada um possa pensar sobre a sua adequação, nomeadamente se as instituições deveriam ou não ter maiores graus de liberdade na definição do seu próprio regime de acesso, a verdade é que se trata de um sistema aberto e transparente. Qualquer cidadão pode facilmente consultar em cada curso do ensino superior público os alunos que se candidataram e os que foram admitidos e as respectivas classificações no secundário e nas provas de acesso. Esta transparência possibilita que se elaborem todo o tipo de análises sobre a qualidade académica dos alunos que ingressaram em cada curso e podem ajudar a uma escolha mais informada dos alunos e respectivos pais.
Infelizmente e apesar de toda esta disponibilidade de informação, na maioria das vezes a comunicação social trata pouco profissionalmente o assunto, muito em especial comparando a última nota de entrada em cada curso não tendo em consideração o número de vagas. Ilustrando, um curso que tem 80 vagas e uma nota de corte de 150 está provavelmente numa melhor posição do que um curso com uma nota de corte de 155 mas com vagas de 40, pois o 40º deste curso terá certamente uma nota inferior ao 40º do primeiro curso. A este factor acrescem outros de índole comparativa como a média das notas de candidatura e a percentagem de escolhas em primeira opção, que também tendem a ser ignorados nas análises publicadas.
Em termos de informação sobre o acesso e num sentido completamente oposto, de opacidade, encontram-se as instituições privadas de ensino superior, sobre as quais e para além dos requisitos de acesso e números de vagas nada mais se sabe. E era importante que houvesse mais e melhor informação, já que possibilitaria uma maior comparabilidade de cursos e uma subsequente opção mais documentada.
O ingresso no ensino superior deveria merecer, a título de informação disponibilizada, um especial cuidado, pois em muitos casos as famílias realizam significativos sacrifícios para assegurar aos jovens esse patamar superior de educação e não deveriam ver expectativas defraudas por escolhas menos informadas e nesse âmbito há duas variáveis cruciais: a do acesso e também, como já o escrevi nesta colunas, a da empregabilidade dos cursos, na qual a qualidade da informação é muito pobre, sobretudo porque sistematicamente confunde emprego com emprego adequado às habilitações, coisas bem diferentes.
António Gomes Mota